segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Músicas...

Não faltam por aí indivíduos que dizem tocar guitarra. E, na verdade, até tocam uma ou outra música, divertem o pessoal nas festas, cantam os hits do momento com os acordes plasmados num qualquer website, julgando-se uns verdadeiros ases das cordas.
Agora, imaginem o médio ofensivo do Pontassolense a testar as suas habilidades junto a Kaká. Porque é exactamente essa desproporção que existe entre os senhores que eu apresento e um vulgar tocador de guitarra.
Al Di Meola, Paco de Lucia e John McLaughlin são a elite das guitarras. 90 e muitos % dos outros que pegam nesse instrumento nao são mais que modestos amadores.
Aqui fica "Mediterranean Sundance".

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Chewing gum

Esfregar esferovite produz um som agundo extremamente irritante, porém tolerável. O barulho do giz no quadro consegue tirar do sério muita gente, mas ainda á suportável.
Insuportável é ouvir, de rajada, "The Story", "Encosta-te a mim", "Hey There Delilah" e "Sweet About Me"... Um verdadeiro poker de dores de cabeça.
O raio das músicas ultrapassam nas rádios e mesmo na televisão os limites do absurdo. Já percebi que o tipo está muito triste pelo facto de a sua amada ir estudar para NY; já me fartei do toque pseudo-anárquico de Gabriella Cilmi que diz que the world is a better place when its upside down; e duvido que viva os mais de 100000 anos de Jorge Palma se continuar a ser presenteado com a sua bela musiquinha. Mais! Quando Nelson Évora brilhantemente conquistou a medalha de ouro, fazendo esvoaçar mais alto que as demais a bandeira lusitana, ouvi mais vezes "The Story" como música de fundo do que o hino nacional...
Na apresentação de fotos do último casamento em que estive presente, lá ive que ser brindado com o malfadado pranto de miss Carlile.
Essas quatro melodias tive o azar de escutar precisamente no momento de maior produção do meu estudo. Em caso de reprovação, creio que desta vez a culpa não morrerá solteira.

domingo, 14 de setembro de 2008

Dura Praxis...

"E as praxes? Como é que são aqui? Pintam-nos muito a cara? Onde é que me inscrevo?"
Estas e muitas, muitas outras perguntas me esperam amanhã.
Todos sentem um misto de curiosidade e de receio. Todos trazem ideias pré-concebidas. Mas poucos têm uma ínfima noção do que efectivamente se trata.
Na sexta-feira passada, passava eu tranquilamente junto da minha antiga escola secundária, quando me deparo com os foliões. Teria o Carnaval chegado uns meses adiantado? Depressa me apercebi que não era disso que se tratava. Viajei 5 anos na minha memória e lá compreendi: tinham começado as "praxes".
Os pobres coitados do 10ºano vinham todos rabiscados em tudo quanto era pele, cantavam o hino nacional em cima de um qualquer banco do recreio, eram amarrados a um poste e pronto! "Acabou de ser praxado, muitos parabéns! Agora já é um de nós..."
Correndo tudo dentro do previsto, três anos depois cairão de pára-quedas num qualquer estabelecimento de ensino superior, julgando que ao fim de uns dias de "tremendo sofrimento físico e mental" tudo termina.
É aqui que realmente se compreende a distinção entre as praxes e a Praxe. Numa há efémera e fútil paródia, noutra eterna e dura aprendizagem. Numa há igualdade (desigual) de indumentárias entre os praxistas e os praxados, noutra há uma capa negra a marcar toda a diferença entre o autoritário e o submisso. Numa todo o aparato desmboca num profundo nada, noutra qualquer nada é feito para o todo, um todo com um fundamento oculto, tão concreto quanto difuso, tão lógico quanto incompreensível.
Numa, o espírito morre embrionário.
Noutra, o espírito finda connosco entre apertadas paredes.

Como são as "praxes"? Eu respondo...

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Impaciência

Carlos Queiroz, na véspera da sua estreia como seleccionador nacional em jogos oficiais, proferiu na conferência de imprensa a seguinte frase/aviso:

"No United trabalhamos quatro anos para conquistarmos um título europeu. Aqui na selecção, ao fim de quatro treinos, já nos pedem para sermos campeões do mundo."

Hoje fomos, ainda que injustamente (palavra mais inútil do léxico futebolista), vergados no nosso país por uma Dinamarca que soube aproveitar as oportunidades. Portugal deslumbrou, marcou, voltou a deslumbrar, desperdiçou, desperdiçou e... sofreu.
Debaixo de um tremendo coro de assobios, os nossos atletas deixaram o relvado.

Quando não há frieza de campeão para matar jogos em momentos decisivos, jamais se pode pedir campeonatos. E a impaciência do povo luso de que Queiroz falava a nada ajuda.

Vamos ter paciência e dar tempo ao tempo, ok? Não me parece ser muito difícil.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Músicas...

Após duas entradas falhadas devido a problemas técnicos, com o público já a desesperar e a insultar a organização do festival, os Franz Ferdinand lá conseguiram incendiar a Zambujeira do Mar. De tal modo que passei a semana seguinte a trautear a "This Fire"...
A banda escocesa vai para mais um álbum de originais, que promete não defraudar as expectativas dos seus admiradores. Estarei seguramente atento para ver o que Alex Kapranos e seus compinchas nos reservam.
Por enquanto, deixo aqui no Who Cares a tal música que teimava em não sair-me da cabeça:



(Peço desde já desculpa por não apresentar juntamente com a música o respectivo videoclip oficial, bloqueado pelos autores)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Mãe há só uma

Iker Casillas é, inquestionavelmente, um dos melhores guarda-redes do mundo. Tem vindo a prová-lo desde que se estreou, ainda muito jovem, pelo emblema merengue, conseguindo sem surpresa um lugar cativo na baliza da selecção do seu país. E todo esse país, toda uma Espanha, ficou grata por ser ele a ocupar a posição de "portero" no Euro 2008.
Brilhantemente, susteve penalties, defendeu golos certos, conferiu uma segurança dentro e fora dos postes inqualificável. Um verdadeiro muro de betão imune a todo o tipo de armamento inimigo.
E "nuestros hermanos" lá ergueram o caneco...
Tal desempenho não deixou indiferente o povo espanhol. De tal modo que fizeram questão de condecorar o atleta não apenas pelo seu feito, mas também pelo simples facto de... ter nascido!
Sem dúvida, a sua mãe sofreu muito durante o parto, daí a merceida recompensa:

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Eu acho que é o Chuva de Estrelas

Ainda bem que vivemos num país livre, cuja Constituição consagra a liberdade de expressão como um direito fundamental. Ora, esta concessão de liberdade pode por vezes traduzir-se em situações deveras insólitas, como esta que vos deixo.
Reparem na cara da concorrente, escandalizada pelo tremendo equívoco do seu adversário... Mal sabia ela que iria cometer o mesmo pecado.

terça-feira, 24 de junho de 2008

de cujus

É ingrato. Podemos levar uma vida honesta, bastante altruísta até, respeitadora de todos os princípios. Podemos ser uns perfeitos anormais, vingativos e hipócritas...
Garantido é que, quando falecermos, faltaremos à nossa derradeira cerimónia. Estaremos lá fisicicamente, mas não sentiremos as lágrimas das pessoas que se preocuparam connosco, o efeverscer do rancor daqueles que nos odiaram. Veja-se o caso de Miklos Fehér: era um avançado com um faro de golo pouco apurado, intermitente nos 11 titulares do Benfica, contestado quando era chamado a intervir.
A morte, contudo, parece ter transfigurado as suas características. Passou a ser um jogador com uma grande margem de evolução, muito dedicado ao clube, um cidadão íntegro e amado por todos os colegas.
A vida é mesmo ingrata. Apenas somos verdadeiramente elogiados quando as nossas capacidades sensoriais são incapazes de captar tais inflamadas exclamações. Enquanto caminhamos para a morte, apenas nos confrontam com críticas ao que fazemos e não fazemos, raramente dando crédito àquilo a que nos entregamos.
No fim, no nosso apertado leito, de cara incrivelmente pálida, emanando um odor muito próprio, todos parecem notar que nós realmente passamos pela Terra. Deixa-se de lado a indiferença (pelo menos durante a cerimónia fúnebre), põem-se os canais lacrimais a funcionar vigorosamente e partimos para a vala.
Em vida, a contenção de despesas era absolutamente gritante. Até a fome podia eventualmente apertar desde que houvesse uns quantos fundos prontos para qualquer eventualidade. Já de malas aviadas para um reino diferente, não há que olhar a custos. Flores, flores e mais flores deixadas emurchecer, velas ardendo incessantemente, caixões bem confortáveis e carinhosamente esculpidos (não vá o defunto queixar-se de torcicolos!), comissões pagas a padres, coveiros, funerárias... Até post mortem não esquecemos a ostentação. E há sempre alguém a lucrar com o nosso cruel fado.

"Eu não quero que ninguém morra, mas quero que o negócio corra...", já dizia o coveiro.

Se vivemos num mundo de contradições, por que não morrer num mundo semelhante? Afinal, é tudo uma questão de coerência.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Músicas...

And when the broken hearted people
Living in the world agree,
There will be an answer, let it be.




Genial. Brilhante. Ponto.

sábado, 14 de junho de 2008

Escrever direito, a torto e a direito

"O Mundo foi feito para os destros (ou dextros?)" oiço eu frequentemente.
Pode parecer um exagero, talvez até algum preconceito. Certo, é que ao anlisar os factos, esta afirmação não soa tão assim descabida e vazia de sentido.
Estou agora num espaço com 50 computadores e não fui capaz de encontar um único rato que não estivesse do lado direito do teclado. Vim para este local de carro pela faixa da direita. De todas aquelas cadeiras com um pequeno tabuleiro para escrever - que, diga-se de passagem, são deveras incómodas - existentes nalgumas salas de aula, cerca de 2% são para esquerdinos.
Além disso, quem normalmente "escolhe" a mão esquerda como predilecta, arrisca-se a ser renegado por todos os outros presentes, a cair num esquecimento total (a não ser que se torne dissidente e troque o copo de mão, claro). Porquê? Porque "mão DIREITA, mão DIREITA é penalty!".
Até Deus foi pouco benevolente: Jesus está sentado à direita do Pai!
Em Itália, conseguiu-se alcançar o extremismo. Esquerdo diz-se "sinistro", o que só por si é mais que elucidativo.
Enfim, motivos bem suficientes acabei de enumerar para proclamar a supremacia do lado direito.

No entanto, apercebi-me hoje que esta discriminação foi levada longe de mais, atingindo os canhotos num momento bastante delicado, urgente e requerente de profunda concentração. Um ritual diário de qualquer mortal foi-lhes amplamente dificultado.
E vocês, insensíveis destros, seguramente nunca se aperceberam porque nunca sentiram na pele (tal como eu)...
Ora reparem e meditem profundamente:

"Os rolos de papel higiénico dos cubiculos das casas de banho públicas estão, quase invariavelmente, do lado direito da sanita"

Um golpe baixo, sem dúvida. Parece que, para tornar o mundo mais justo, terei que dar a todos esses técnicos de casa de banho, picheleiros e afins uma Constituição da República Portuguesa, recomendando-lhes vivamente o artigo 13º.

domingo, 8 de junho de 2008

Uma questão de (falta de) testosterona

Estou cada vez mais convencido que aceder aos conselhos dados pela Maxmen e pela FHM não me vão levar a ter mais sucesso entre a comunidade feminina. Pensei que estava a fazer tudo bem, que até estava a marcar pontos com a arte de "mandar o charme"; era uma questão de tempo até elas se disfarçarem de répteis para rastejar a meus pés, julgava eu...
Todavia, na semana passada, todas as minhas fundadas expectativas ruíram inapelavelmente, qual castelo de cartas. Descobri o que REALMENTE as leva a gritar histericamente, a sentir forte atracção e a exprimir o mais reprimido desejo... E não tinha nada a ver com aquilo que eu estava à espera.



É isto a virilidade que elas tanto procuram? É por este despenteado Messias que elas gritam, chiam e grunhem? É esta voz pastosa que as conduz ao âmago da excitação? Terá "ele" um GPS capaz de indicar a latitude e a longitude do ponto G?

Sim, é verdade. O Rock in Rio 2008 fez-me ver o quão errado estou nesta matéria... Inspirado pelos Tokio Hotel, talvez consiga descobrir o meu lado "emo". Talvez ainda vá a tempo de cortar os pulsos, mas o tempo já começa a apertar! xD

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Breaking news

Roberto Leal e Tony Carreira demonstaram publicamente o seu apoio à selecção das quinas... Será isso capaz de despertar a veia goleadora de Nuno Gomes? Recordará Deco o seu apogeu, que parece já bem distante, ao escutar "um sonho de menino"?
Sinceramente, não sei que mais hão de fazer para publicitar a equipa de todos nós. Espero, como é óbvio, que Portugal consiga superar a fase de grupos, apesar das esperadas difculdades. Os suíços jogam em casa, os checos apresentam sempre equipas bastante consistentes e experientes e os turcos jogam sempre nos limites da raça e da paixão.
Porém, se Zé Cabra decidir fazer uma gracinha e se juntar à comitiva portuguesa já em solo helvético... Aí sim. Venham Platinis, Zidanes, Henrys, Pirlos, Huntelaars ou David Villas à vontade. Estamos cá para bater o pé a todos, nem damos hipóteses.
Ah e se o sr.Roberto Leal resolver cantar o hino nacional, como em 2004 após a fatídica final? Levantavamos a taça, por falta de comparência dos adversários.
Enfim, tantas notícias por divulgar e só nos dão disto...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Músicas...

Nesta fatigante época de exames, troquei os habituées mais pesados do meu mp3 por melodias quase de embalar (espero eu que venham a embalar para uma jornada de sucesso). É um som bem mais calmo, suave, com uma letra a puxar mais para o lado sentimental e, acima de tudo, excelente para estudar. Além do mais, quer a voz, quer a letra são verdadeiramente fantásticos.
Deixo-vos então com este grande clássico de Tracy Chapman, "Baby can I hold you".

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Etimologia Farmacêutica

Criatividade é algo que nem todas as pessoas se podem gabar de ter em excesso. Inspiração é já um conceito diferente, bem mais variável que o anterior, e que é susceptível de se manifestar em qualquer pessoa independentemente da sua real aptidão, aparecendo a espaços. Certo é que, sem nenhum destes elementos, dificilmente teriamos algum tipo de produção artística, fosse em que área fosse.
Perguntarão vocês: a que propósito vem este energúmeno estampar aqui esta distinção?
Respondo eu: porque fui a uma farmácia e fiquei abismado com o "nome civil" de certos fármacos.
É algo de verdadeiramente fascinante. Em que é que se inspirarão os farmacêuticos para atribuirem nomes aos seus medicamentos? Pergunto-me, muito honestamente, qual será a origem etimológica da palavra "Augmentin"; Ipesandrine seria algum antigo chefe de estado da ex-URSS? Aspegic foi o melhor marcador da liga Jugoslava de futebol 78/79? Ben u Ron teria sido amigo de infância de Mao Tsé Tung? Zovirax, produto para o herpes labial ou nome de hacker internacional? Brufen, Canesten, Lendormin, Xanax e Prozac surgiram de onde?
Mais: quem é que se lembrou de chamar Viagra ao olhar para o processo de erecção de um pénis?
Enfim... Se atribuissem aos medicamentos o nome da doença a que se destina, tudo seria mais fácil para os consumidores e pouparia esforço mental aos criadores. Criatividade, inspiração ou dádiva divina? Naaa... Acho que é mais distribuição aleatória de letras.

sábado, 3 de maio de 2008

Cromos da bola

Homem que é homem, quando era criança, coleccionou os lendários autocolantes com os emblemas e jogadores da nossa liga de futebol. Fez parte da nossa essência trocar as centenas de figuras repetidas. Quem nunca ouviu frases como "Só te troco o Mielcarski por 3 jogadores do Tirsense, por causa qu'ele é muito raro!" ou "Os brilhantes valem por 2!" não pode ter frequentado o ensino básico.
Nos dias que correm, já emancipado e com a barba a crescer desenfreadamente, com (alguma) maturidade, abandonei essas lides. Isso não me impediu, contudo, de recentemente dar uma olhada na caderneta da presente temporada (BwinLiga 07/08).
Esse acto deixou-me abismado e a questionar todas as minhas capacidades de observação do meu desporto de eleição. Agora, por baixo da foto dos craques, aparece uma pequena descrição dos mesmos...

Fiquei com a sensação que o Estrela da Amadora tem um plantel ao nível da Premier League; que Pedro Mantorras é "um verdadeiro cozinheiro de golos"; que Tiago Targino é um prodígio técnico; que a Académica tem duas muralhas no lugar de guarda-redes; que Jair Baylon tem tudo e mais alguma coisa para ser Bola de Ouro; que Paulão deveria abandonar a Naval para fazer dupla com Rio Ferdinand no Man Utd...
Cheguei à conclusão que o nosso principal campeonato é, seguramente, o mais competitivo do mundo. Todos os pontas-de-lança têm faro de golo e um instinto matador , não há um único extremo que não seja um quebra-cabeças para o lateral contrário, os médios foram buscar ao útero materno uma criatividade renascentista, os guarda-redes (sem excepção) são gatos entre os postes e seguros fora deles e, como se não bastasse, todos os centrais são intransponíveis.
Gilles Binya não consta na referida caderneta. Porque será? A resposta é simples: para que o seu primor técnico e a sua subtileza nas entradas para desarmar os adversários não ofusquem os demais jogadores/craques. Além disso, a segurança de quem ousasse ter o astro camaronês repetido estaria em franco perigo, pois qualquer jovem estaria disposto a fazer tudo para o adquirir.
Cardoso é apontado de antemão como o melhor marcador da prova, mas Miljan Mrdakovic parece ter tudo para apimentar a discussão. Lisandro Lopez provavelmente precisará de anti-depressivos.

Bem, eu até já estava a ficar convencido que aquilo de facto era verdade e que eu é k não sabia nada de futebol, mas Zoro deteve a minha atenção. "Hostil". Assim era definido.
Toda a gente sabe que ele é uma jóia de moço!

Bolas, afinal o nosso campeonato continua uma valente "M"...

(NOTA: POST PUBLICADO SIMULTANEAMENTE NO TORRADA DO MEIO E NO WHO CARES)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Efemérides

25 de Abril nos dias de hoje? Mais uma efeméride, cada vez mais me convenço disso.
Um feriado que calha sempre bem, como todos os outros, isto é, mais um pretexto para não trabalhar.
É conveniente para tirar Paulo de Carvalho, Zeca Afonso e outros que tais da bafienta caixa de memórias, ouvir depoimentos da guerra do Ultramar, ver o "Capitães de Abril" num dos canais públicos, contemplar cravos estampados nas capas de todos os jornais diários, etc.

Há excesso de liberdade? Talvez. Talvez tenhamos entrado no sinuoso campo da libertinagem (como já foi referido); a liberdade de cada um dever-se-ia circunscrever ao limite do respeito pela liberdade dos outros, com o mínimo de bom-senso e de princípios. Infelizmente, a "liberdade" é tamanha, que o próprio conceito de bom-senso se dilui na vida em sociedade, em que a obediência a normas jurídicas, morais ou até religiosas é vista como uma forma de submissão e/ou atentado à autodeterminação individual.

Uma visão mais pessimista (e realista) poderia concluir que estamos, ainda que não tenhamos noção, a ser vítimas do excesso de permissividade. Nem neste campo deixam de se verificar gritantes assimetrias, nas quais aos titulares do poder político não podem deixar de ser imputadas responsabilidades. Fraudes continuam a aparecer na "cadeira do poder" tal como antes de 1974, ao mesmo tempo que se defraudam as expectativas dos eleitores.

Entendo que os períodos revolucionários são cíclicos e isso dificilmente pode ser contrariado - a mudança nunca agrada ou desagrada a todos (senão, o que seria da democracia?). Precisamente por isso, não soa assim tão estranho que uma nova revolução, perante os cenários recorrentes de instabilidade política e partidária, de desemprego e aumento do custo de vida, entre outras e incontáveis razões, ecluda no nosso país, embora em moldes diferentes de há 34 anos atrás.

Uma coisa é certa. O 25 de Abril veio mudar mentalidades e todo um país de forma geral; Despertou os portugueses para a realidade chamada democracia; contudo, por muitas lutas que se travem, por maior e nobre que seja o interesse, o esforço e a vontade, jamais teremos uma sociedade perfeita.

Por isso, 25 de Abril hoje é mais um trecho de história do que verdadeiramente um pedaço de realidade, uma mera data ou recordação.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Músicas...

Um dos canais de música que mais aprecio (apesar de não ter muito tempo para ver) é o MTV2. É muito menos comercial, mais alternativo, sem programas rídiculos e repleto de bandas pouco badaladas no nosso país, mas que dão cartas sobretudo em terras de Sua Majestade.
Os "Get Cape, Wear Cape, Fly" são um exemplo de como fazer música agradável, com letras descontraídas, entre o brit pop e uma onda mais alternativa, e que em Portugal nunca passaram em nenhuma rádio ou programa televisivo - com muita pena minha.
Fica aqui o tema "Chronicles of a bohemian teenager".



(Aproveito para dedicar esta música aos amigos que me acompanharam -bem como os que não puderam estar fisicamente presentes- numa hora difícil, que me ajudaram a olhar em frente e a não desanimar perante a cruel realidade. Jamais poderei esquecer. Mais uma vez, muito obrigado.)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Show me your identification!

Convencionalmente, quando nos pedem qualquer documento de identificação, apresentamos o bilhete de identidade. Diz tudo aquilo que é preciso saber sobre nós; aliás, até nos atribui um número com 8 dígitos, não vá haver qualquer tipo de confusão ou repetição.
Por norma, esse cartão acompanha a pessoa na carteira, sendo apresentando apenas quando estritamente necessário. Como é óbvio, ninguém o usa ao pescoço, para que toda a gente o veja. Na verdade, e na maioria das vezes, até preferimos que nenhuma pessoa lhe ponha a vista em cima.
Porque será?
a) Porque a minha mãe tem um nome que parece uma distribuição aleatória de letras
b) Porque nasci numa terriola algures no interior, tipo Sto Isidro do Montejunto
c) Porque a minha caligrafia é quase ilegível

Nada disso...
A verdade é que um dos requisitos do B.I. é a foto do indivíduo. E que atire a primeira pedra quem nunca ouviu frases como:

-"Ahhh... És mesmo tu? Nem pareces o mesmo!"
-"Que cabelo é esse?" (é a que eu mais oiço... vá-se lá saber porquê)
-"Jesus, que cara de miudinho!"
-"Tavas mais magrinho/gordinho aqui..."
-"Kakakakakakaka...."

Além disso, depois de ver a foto, ninguém mais repara no resto... Nem mesmo que aquando da data de emissão medias 1,37m.
Sentimos que temos um alter ego, um Mr.Hyde que persegue Mr.Jeckyl para todo o lado, sempre disposto para o assombrar a qualquer momento.
Para consolação de minha penada alma, em 2010 vou poder dar um novo look aos registos. No entanto, por muito que não queira, em 2020 esse traço da minha figura já estará convertido em heterónimo...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Efeito Férias Desportivas

Após uma semana de férias bem aproveitadas, estou de volta.
Infelizmente, a inspiração parece ter ficado enterrada algures na areia da Praia do Barril. Apesar de tudo, e enquanto ideias (in)decentes teimam em não pairar sobre mim, deixo vos com um vídeo no mínimo curioso...



Quem inventou a expressão "dar tiros nos pés", devia estar a assistir a este jogo da liga húngara. Um verdadeiro drama para o defesa, uma decepção para os adeptos e companheiros de equipa.
E agora não me digam que não é ingrato ser guarda-redes...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Autoridade

Domingo de Páscoa. Passo os olhos pelo JN enquanto os restantes presentes na sala acabavam a refeição.
Além de ficar a saber que a maioria dos alunos do 9ºC de uma escola portuense reprovaria se o ano lectivo terminasse agora, e que Eduardo, além de dar pontos, também dá taças, li um artigo que igualmente me despertou a atenção:

“Um inspector da Polícia Judiciária foi detido por militares do subdestacamento da Brigada de Trânsito (BT) da GNR de Coina, depois de ter recusado a soprar o balão na sequência de um acidente.O caso ocorreu na A2, quando um carro ligeiro, um Renault propriedade do Estado, embateu na traseira de um veículo pesado, quando circulava em direcção a Lisboa. A BT foi chamada ao local e, como é normal, pretendeu submeter os intervenientes no acidente aos testes de alcoolemia.O condutor do ligeiro recusou-se, no entanto, a soprar ao balão e os militares da BT acabaram por verificar que se tratava de um inspector da PJ de Lisboa e que o carro estava ao serviço da Judiciária. O inspector apresentaria sinais de embriaguez.Os militares deram-lhe ordem de detenção, mas o inspector acabaria por ser libertado com a obrigação de se apresentar amanhã no tribunal do Barreiro.”

Antes de mais… Inspectores embriagados parados na Coina? Ok, não vou enveredar pelo mundo obscuro da piada fácil, embora tivesse muito por onde pegar. Deixo isso a cargo do leitor.
Agora, numa das épocas do ano marcada pelo controlo apertado nas estradas, em que os principais blocos informativos (por intermédio de “agentes da autoridade”) dão grande ênfase à evolução da secção de necrologia rodoviária do período em questão, e em que se aconselha total precaução na partida e no regresso a casa, não me parece muito correcto – corrijam-me se estou enganado - que um elemento de uma força policial, utilizando um veículo do Estado, embata com o mesmo noutra viatura, sendo a causa mais que provável a embriaguez
Mais grave ainda: o agente, ao serviço da Judiciária, recusou-se a confirmar o seu estado psíquico, abstendo-se de soprar o balão…
Veremos, pois, se a Justiça se abstêm de punir o senhor em causa. Honestamente, já não me surpreenderia. Aliás, já quase nada me surpreende. Nem mesmo o facto de o Sporting ter falhado mais três grandes penalidades…